Dos Papeis




Talvez um dos papeis fundamentais da educadora e do educador seja propor alternativas dentro de um processo de construção coletiva. 

Nossa ação educativa não deve supor transformar vidas. Uma vez que escolhemos a educação como instrumento transformador, contudo, somos moralmente obrigados a estimular o pensamento crítico diante da vida e o questionamento incessante de tudo, inclusive e principalmente, de nós. Afinal, a minha perspectiva não passa de uma perspectiva

O lugar do suposto saber nos atribui a responsabilidade de escutar, valorizar o conhecimento prévio, respeitar a diversidade, valorizar as histórias pessoais, estimular a participação democrática e, sobretudo, de colocar a nossas certezas sob escrutínio constante. 

A soberba da sabedoria é o início da morte profissional para educadores e educadoras.

DA LEITURA

Sendo filho de bibliotecária e ávida leitora, cresci entre livros. Bem verdade que estar rodeado por literatura desde a primeira infância me fez a gostar de ler. Entretanto, seria ingênuo acreditar que a familiaridade com o objeto em si tenha determinado minha paixão pela leitura. O estímulo maior foi a relação que minha mãe ajudou a estabelecer com os sentimentos encontrados naquelas páginas, primeiramente na voz dela e, então, solitário como é o ato de ler.

Um livro guardado não passa de um objeto sem alma, cor ou perfume. Ao ser lido, ganha vida, pulsa, conta histórias e se torna parte da nossa caminhada. Depende de quem lê, e não de quem escreve, a existência do texto.

Ler não se restringe às letras e às palavras. A leitura, em si, pode ser limitada a decifrar e traduzir signos capturado à deriva. E quando a decifração se restringe ao sentido mais basal deste ou daquele signo, o leitor é impedido de mergulhos mais profundos.
Em literatura, a diferença entre se arrastar pelas linhas e alçar voos nas entrelinhas se dá quando o leitor faz parte da obra e, para além dele, ela se completa. Há de se ressaltar que muitas vezes a construção literária jamais será completada mesmo que possamos identificar seu início, meio e fim.

Aprender a ler é interagir com a complexidade do outro; é ser parceiro e inimigo na autoria; é desconstruir e/ou reconstruir; é lançar mão de ferramentas para transformar a maneira de estar no mundo pois quem se entrega à leitura jamais sai ileso.
O aprendiz pode se encantar pela literatura por acaso. Porém, contar com o acaso é muito pouco dentro do ambiente educacional. Ter uma biblioteca linda, somente, não garante o desejo de ler assim como deixar livros com as mais belas capas ao alcance de todos, tampouco.

Promover encontros prazerosos entre aprendizes e textos só é possível quando nós, educadores, além de termos conhecimento das técnicas apropriadas e as aplicarmos consistentemente, somos leitores... não daqueles que leem a palavra, mas dos que leem a vida.

Ler, no final das contas, não é somente uma ação cognitiva. É, sobretudo, um ato social.

SEU MOREIRA

Para quem hoje, em 2017, está curtindo as dores dos quase, ou recém-passados 40, sabe que MacGyver é aquele cara que conseguia fazer qualquer coisa com um pedaço de fita adesiva, fio dental e um chiclete mascado.

No Condomínio Caminho das Árvores, onde vivi até mais ou menos os 13 anos, grande parte das aventuras dos meninos era inspirada por esse cabra.

Foi somente já adulto que descobri que ele existe, mora em Salvador/BA e é ela: Leal, Simone Leal.

Minha amiga Si é uma daquelas pessoas para se ter eternamente por perto. Além de sempre estar disposta a ajudar, ela verdadeiramente cuida dos amigos.... e ama cachorro, uma característica fundamental no caráter. Na verdade, se eu trabalhasse com Recursos Humanos, recrutando pessoas, a despeito vaga em questão, minha pergunta fundamental seria: você gosta de cachorro?

Lembro de um dia quando ela, numa conversa com Thiago Colares (um bróder que tinha desenvolvido um site que funcionava como um dicionário de acordes para Ukulele) disse ter interesse em aprender aquele instrumento havaiano, de quatro cordas, cuja afinação mais comum é G C E A.

Pouco tempo depois, em mais um fim de semana na casa de praia de Lali, em Jacuípe, com diversas amigas e amigos, com muita comida, álcool, música e risada, lá estava ela, não somente em posse, mas tocando o troço.

Neste mesmo fim de semana, já tarde da noite, alguém comentou,  despretensiosamente, que seria ótimo, naquele calor, uma água de coco. Alguns minutos depois, estávamos bebendo o quê? O quê? O quê? Isso mesmo.  

Como aconteceu? Ora bolas, elementar, senhora leitora, senhor leitor. Simone pegou uma lanterna, foi até o coqueiro anão já lá no cantinho do terreno, colheu sabe-deus-quantos-cocos, levou até o fundo da casa, pegou o facão, partiu, encheu a jarra e a colocou no centro da mesa, na varanda,  com o número exato de copos... tudo isso em um intervalo de minutos. Surreal.

Simone é assim: se já não aprendeu, está aprendendo algo novo. Sua mais recente proeza foi fazer um curso de carpintaria e, dentro de seu apartamento, montar sua mini-oficina, onde já construiu luminárias e fez todos os armários de casa.

Contudo, a maior proeza de MacGyver, quer dizer, de Simone foi ter se casado com Chuck Norris, digo, Nuno Norris, ou melhor, Nuno Ricardo. Esse cabra, nascido em Angola, criado primeiramente em Portugal – de onde tem cidadania – e depois em Salvador, mais especificamente em Brotas.

Brotas deveria estar nos livros didáticos como um acidente geográfico, cuja definição seria: um pedaço de terra cercado de Salvador por todos os lados. Mermão, pense num bairro grande? Pronto, agora multiplique por dois. Multiplicou? Ainda não é Brotas.  

Se você entrar em uma rua errada, certamente cairá em Brotas.

Brotas é um bairro cheio de Bairros. Campinas é Brotas; Acupe é Brotas; Candeal, famoso pela Timbalada? Brotas! Horto Florestal é Brotas; Engenho Velho, Ogunjá, Cosme de Farias, Matatu, Vila Laura? Tudo Brotas.

Inclusive, antes de ser brasileiro, nordestino, baiano, soteropolitano, quem nasce e/ou é criado ni brotas é brotense. Não se espante, você leu certo. É ni mesmo. Brotas é um bairro que tem sua própria preposição na língua portuguesa.

Apesar de atribuírem a origem do Le Parkourt a um francês chamado David Belle, para Nuno, foi criado pelos capangas dele, pulando os muros das casas para roubar fruta “lá ni Brotas.”

Sabe Mad Max? O classicão com Mel Gibson ainda guri, em 1979? Pois bem, filmado ni Brotas. Para Nuno, é a saga do cara saindo de Campinas, ali perto do cemitério Jardim da Saudade, até chegar no Matatu.

Nuno saiu de Brotas há anos, mas Brotas jamais sairá dele.

Assim que fui aprovado no Mestrado em Ciências da Educação no Porto, fui pedir umas dicas ao meu amigo brotense, posto que, além de ter morado em Portugal, tem a perspectiva privilegiada de um sociólogo:

 - Todos os doces tem ovo pra caralho. Ah, e vinho bom é barato.

Não obstante certa ogrisse existente do comportamento cotidiano, Nuno é um cara sensível, sábio e muito, mas muito sensato mesmo (se ele ler isso, esta pode ser a última crônica de minha vida). Por isso, ouvi com muita atenção tudo que me disse sobre a terra de Fernando Pessoa. Talvez, o que mais chamou minha atenção tenha sido sobre a cordialidade do povo.

Quando saltei do avião aqui em Porto, isso não saía de minha cabeça. Era quase um mantra compulsório: povo cordial, povo cordial, povo cordial...

Eu, Lali e Mari, cada um com duas malas de 32 quilos, além das bagagens de mão, precisávamos de um táxi muito grande para fazer uma viagem só e economizar, pois, acima de tudo, viemos com “as nica” tudo contada.

Mari, ainda no saguão do aeroporto, com seu olho de Tandera, avistou um MEGATÁXI lá fora. Oxe, pai, adiantei o passo, cheguei pro motorista - um senhor nos seus 60 anos, com uma bela barriga protuberante,  barba por fazer, camisa ligeiramente apertada com os "botão tudo pocano" - e perguntei se estava livre.

- Estou, sim, ó pá!

Depois de termos, com muito sacrifício e suor, colocado todas as malas no carro, ao abrir a porta para finalmente sentar no banco da frente, por sugestão das meninas, fui surpreendido com o fato de os táxis terem o nome do motorista pintado na carroceria.

Moreira. Estava escrito.

O trajeto entre o Aeroporto Francisco Sá Carneiro e a Rua 1 de Maio, em Vila Nova de Gaia é de 22 km. O trânsito estava livre e Seu Moreira respeitou o limite de velocidade o tempo todo de maneira que não demoramos muito para chegar ao nosso destino.

Com o mantra da cordialidade ressoando em minha cabeça, puxei assunto com Seu Moreira que, por sinal, era bom de papo. Como eu não queria fazer feio, fiz questão de mostrar a Seu Moreira que havia gravado o seu nome. Afinal, lembrar-se do nome me parece um bom sinal de cuidado, né não?

- O inverno aqui é muito frio, Seu Moreira?
- Qual o time que o senhor torce, Seu Moreira?
- Qual o melhor prato típico, Seu Moreira?
- O senhor é nascido aqui no Porto mesmo, Seu Moreira?

Até que, lá pelas tantas, comecei a pergunta pelo vocativo e Seu Moreira riu. Percebi que tinha algo de errado. Titubeante, perguntei?

- Oxe, o que foi?

- Meu nome é Paulo. Moreira é o bairro.



Esta crônica foi revisada por Lali Souza

TRAVESSURA E ESFIRRA

Minha primeira infância foi na Rua das Acácias, em uma casa com amplo gramado e dois cachorros: um vira-lata chamado Totó e um pastor alemão, o Xerife.

Morria de medo do segundo, que passava o dia no quintal da casa. Para mim, morador Da Casa até somente os 6 anos idade, Xerife era um mamute. Memória de criança é uma onda, viu! 
Apesar de dócil, para não dizer abestalhado, quando conseguia escapar, era um deus nos acuda. Melaine Klein, discípula de Sigmud, tem uma teoria muito louca sobre o “seio bom e o seio mau”, na qual afirma – aqui de maneira ultra simplória – que  nesta fase, a da amamentação, a criança experimenta, pela primeira vez o receio da morte. Porra nenhum, mermão! Medo da morte era estar brincando na grama e dar de cara com aquele urso correndo em sua direção, com a maior língua do mundo, semelhante a uma gravata vermelha,  pendendo entre presas afiadíssimas.

Pais divorciados, A Casa virou história e nostalgia. Sequer sei que fim levaram Totó e Xerife... Meu único contato com cães veio bem mais tarde através das propagandas televisivas de uma ração chamada Papita.

Sempre me interessei por comerciais. Até cogitei a possibilidade de prestar vestibular para Publicidade, veja só.

Lembro claramente o reclame da Poupança do Banco Econômico, com os três sacis fugindo da Dona Onça. Havia também o “não esqueça a minha Caloi”; “Compre Batom, seu filho merece Batom”, do chocolate da Nestlè; se você é baiano, está na faixa etária do 40, certamente lembrará do “Ali, Ali, Ali, Alimbinha, a mais deliciosa merendinha”; “Tubaína, só se for Frilar; “eu tomo Anemocol”; “Bonita camisa, Fernandinho”, da US Top; “O tempo passa, o tempo voa, e a poupança Bamerindos continua numa boa”; “Leite condensado, caramelizado, com flocos crocantes coberto com o delicioooooooso chocolate Nestlé, do Chokito; “Cre-Cremo-Cremo-Cremogema! É a coisa mais gostosa deste mundo! Eu esqueço a boneca, eu esqueço a minha bola quando tomo, tomo, tomo, tomo, tomo ... Cre-Cremo-Cremo-Cremogema Tem um gosto que a gente gosta muito. A mamãe quer sempre o melhor pra gente:  Cremo-cremo-Cremogema!”; “Abra a booooooca, é Royal”; a emocionante “Não basta ser pai, tem que participar. Não basta ser remédio, tem que ser Gelol"; “Ortopé, Ortopé tão bonitiiiiiiiiinho”; sem contar as propagandas do cigarro “Hollywood: o sucesso”, sempre associado à juventude, locais paradisíacos e, acredite, esporte, com trilhas sonoras geniais: "Love ain't no stranger", do Whitesnake; "Burning heart", com Survivor; "Jump" do Van Halen; e "Every Little Thing She Does is Magic" do Police. E, em um dos comerciais mais fofos da história, aparecia logo de cara um filhote todo peralta enquanto uma voz dizia: “Esse é Rex, 15 kilos de pura travessura”. 

Alexandre, menino franzino, lá pelos seus 16 anos, quando estudava na Escola Técnica Federal, jogava basquete. Sendo  excessivamente mirrado, para, como diz por aqui, dar testa aos cavalões e conseguir se destacar ao ponto de ser o armador do Time de Geologia, precisou desenvolver sua agilidade, técnica e velocidade. 

Sua desenvoltura era inacreditável! Quase onipresente na quadra, driblava, se desmarcava e corria serelepemente... daí, já viu, né? Pequeno e serelepe, Alexandre foi apelidado de Rex, alcunha que utiliza até hoje, aos 42 anos e já pai de Felipe há 20. 

Em 1992, o conheci através de Glauber, Moska Billie,  primo  de consideração de Duda, com quem eu namorava na época. (na moral, eu adoro essa coisa de primo de consideração. Isso é genial!)
Conversamos rapidamente sobre música, pois eu adorava bateria e ele já tocava. Fiquei impressionado. 

Depois deste breve contato, sentados no chão do quarto, só voltei a vê-lo eu da plateia e ele nos palcos de Salvador. Rex foi fundador de duas das mais importantes bandas de Salvador: The Dead Billies (com Glauber, Rogério e Silvano) e Retrofoguetes, banda de valsa-surf-music-mambo-rock, com Rogério, Silvano e depois, Carlos Henrique e Julio. 

Fui a incontáveis shows: desde o lançamento da Fita Demo, no Hotel Pelourinho  – com projeção de filmes de gosto questionável – até o legendário SHOW DO CIRCO PICOLINO. Bem, este evento é difícil de ser explicado com palavras... na realidade, é uma tarefa árdua organizar as ideias diante de tantos acontecimentos naquela noite. Quem foi... foi!

Apesar das referências supracitadas, ou talvez por causa delas,  Rex é um dos caras mais espetaculares que conheço. No final das contas, acabamos nutrindo uma amizade de muito amor e companheirismo... porra,  como devem ser as amizades, ora bolas. 

Felipe, por sua vez, conheci quando já tinha 18 anos e também foi amor à primeira vista. Pense num moleque bacana, sangue bom, bem humorado e parceirão.  Pensou? É ele. O pivete é foda. Até fez questão de vir na comemoração dos meus 40 anos, mesmo tendo outra festa, certamente, bem mais interessante para ir. 

Quando tinha uns 8 ou 9 anos, pediu ao pai – é muito estranho estar com Rex e ouvir aquele homenzarrão dizer: ô, pai! – um trocado para... “procure saber, procure saber” 

- Pai, me dê R$ 1,00, aí?
- Pra quê?
- Pô pai, me dê aí, vá!
- Popeye é o namorado da Olívia Palito. Pra que é?
- Pooooxa! É pra comprar uma esfirra.
-Esfirra, que esfirra?
- Que a mulher do segundo faz.
- Ah, tá. E é gostosa?
- Não, é feia pra porra. Agora, me dê o dinheiro, aí, vá!
- ...

QUANDO SE ESTÁ SÓ


Há crenças para dar e vender por aí. Certa feita, uma jovem palestrante sobre Educação Espiritualizada, para comprovar a existência de Deus - e aqui estou falando do conceito tradicional das civilizações modernas ocidentais , não daquela vaga noção de deus está na natureza, em mim e em você - apresentou ,através de gráficos, um pouco confusos para minha parca inteligência, resultados de ressonâncias magnéticas que, ao mapearem o cérebro humano, demonstravam que há uma região que nos propicia crer em “algo”. Entre aspas pois a garota usou o velho gesto com os segundo e terceiro dedos, contando do polegar para o mindinho, enfatizando o “algo”.

Eu estava em uma atípica manhã de paz espiritual, sem trocadilhos, por favor, e optei por não indagar se, já que temos uma parte da nossa anatomia intracraniana responsável por acreditar no divino, não é mais lógico que a ciência esteja justamente dizendo o inverso? Deus é uma criação do ser humano?

Confesso certa inveja, em alguns momentos, de quem acredita no etéreo: não há poder sobrenatural para me auxiliar com os percalços que a vida nos oferece, nem providência divina que alivie a dor da perda, ou me tranquilize diante do pavor. Sou eu e meus pares.

Sem falar das religiões institucionalizadas, monoteístas. Neste caso, inexiste, para mim, um livro, ou melhor, uma bula comportamental ensinando quais os valores, princípios e moral a serem seguidos. Ser honesto quando tem alguém vigiando o tempo todo, em todos os lugares, seja lá onde você se esconda, é fácil, pois a punição é a ira olímpica que cairá sobre vossa cabeça. Difícil mesmo é ser honesto quando se está só.

Eu acredito no indivíduo, no ser humano, apesar de achar a humanidade uma desgraça.

Mudanças são possíveis e ocorrem cotidianamente, mas, por não serem televisionadas, não existem... Há jovens, agora mesmo enquanto estamos dialogando, revendo seus conceitos, abraçando quem antes repeliam, se reinventando e, assim, sendo agentes na mudança da qualidade das relações entre seus próximos, sua comunidade e, por conseguinte, em absolutamente todas as instâncias, colaborando para o estabelecimento de uma nova ordem mundial. Uma nova ordem mundial.

A meu ver, se é que há UMA solução, ela é simples, apesar de não ser simplória: faça! Se fazemos parte do problema, somos parte da solução.

VATICANO EM CHOQUE




 1° DE ABRIL!!!!!!!!!!

MIJO & RED BULL

“Ah, que bom você chegou/bem vindo a Salvador/coração do Brasil”

Não, você não é bem vindo ao nosso carnaval. O folião-turista, sim, claro. Mas, Bel, Durval, Ivete, Daniela e todos os outros que enriquecem a custas da senzala e da reinvenção dos navios negreiros, por favor, deixem minha cidade em paz.

 O carnaval soteropolitano é a maior festa privada do planeta. A população local é expulsa da sala de estar, enquanto as visitas do síndico se lambuzam com a comida e bebida servidas pelos moradores, agora, confinados entre a cozinha e o quartinho dos fundos.

Salvador é uma cidade com aproximadamente 2,6 milhões de habitantes. Segundo os dados da SECULT  relativos ao carnaval de 2010 (a variação dos números em relação a 2008 e 2009 são mínimas), deste total, 2,02 milhões (77,8%) não participam da festa, sendo que 1,57 milhão (60,5%) ficam em casa e 452 mil (17,4%) viajam.

Restam, então, pouco mais que 570 mil residentes (22,1%) participando da folia. Destes, 478 mil (18,5%) brincam, enquanto 93 mil (3,6%) trabalham.

Para não perdermos o raciocínio, vamos lá: até agora, somente 18,5% dos residentes de Salvador brincam o carnaval. Ou seja, em um universo de 2,6 milhões pessoas, apenas 478 mil participaram como foliões.

Ainda piora. Dentro do universo dos foliões locais, aproximadamente 59% pularam exclusivamente na pipoca, ou seja, pouco mais de 288 mil residentes. O restante (190 mil) se dividiu entre bloco; camarote; bloco e pipoca; camarote e pipoca; bloco, camarote e pipoca.

Caso esteja, assim como eu, tonto com tantos números, indico o contraste mais importante até agora, a meu ver: de 2,6 milhões de habitantes, somente 288 mil participaram do carnaval pipoca, gratuito, popular.

Há, contudo, entre defensores do carnaval para inglês ver, digo, para paulista participar, o argumento da injeção de dinheiro e oportunidade de a população ajudar na renda familiar durante um curto período de tempo. Para eles, a triste realidade: o rendimento médio real dos indivíduos que trabalharam durante os dias do período de análise é de R$ 737,02.

Isso mesmo, senhoras e senhores, entre os 2,6 milhões de habitantes de Salvador, 93 mil (3,57%) trabalham para ganhar, em média, R$ 737,02.

Em 2012, o então vice-prefeito, Edvaldo Brito, afirmou que ”o carnaval gerou aos cofres municipais um prejuízo parcial de R$ 8 milhões com a organização da festa.”.

Oxe, mas com tanto patrocínio, vendas de abadás, camisetas e impostos, para onde vai todo este dinheiro? Abrir um camarote não custa exatamente uma fortuna. A taxa inicial paga à prefeitura é de R$ 10,58 e mais R$ 42,34 por metro quadrado. Então, levando em consideração que o faturamento de um camarote pode chegar a R$ 14,4 milhões, não posso afirmar, mas tenho uma leve desconfiança a respeito de quem está faturando nessa brincadeira...

A lógica dos blocos de trio não pode ser mais nefasta. Pessoas pagam para andar sobre o mesmo asfalto, sob as mesmas intempéries, sofrendo o mesmo aperto e ouvindo a mesma música que todo mundo. Porém, estão devidamente cercadas por uma corda que as aproxima dos seus semelhantes - gente selecionada e bonita - e os protege do povão, do feio, do pobre e do preto

 Já os camarotes são esquizofrênicos. Dentro daquelas bolhas assépticas, semelhantes se reconhecem para celebrar Baco com litros de whisky + energético, isolados dos festejos populares que, coincidentemente, acontecem logo ali no mundo real.

Carnaval popular não passa de meia página nos livros de história, de uma nostalgia, de um devaneio romântico de alguns que ainda preferem o perfume de mijo no asfalto ao fedor do arroto de whisky com Red Bull.

ENCONTROS E VICE E VERSA


Felipe e Camila formam um belo casal. São bem sucedidos, simpáticos, excelentes anfitriões, ouvem rock e, ainda por cima, têm uma invejável lista de shows no currículo. 

Conheci Felipe através de René, o ogro, no final dos anos 1990. Tínhamos mais cabelos e menos gordura. René e eu nos víamos frequentemente. Nossos encontros eram basicamente regados a música, em alguma apresentação de sua então banda Jack Road – no falecido Calipso – ou nas noitadas no Edifício Marcelo, onde Cris morava.

Nós - Cris, Silvinha e Cyro - configurávamos o núcleo fixo das celebrações a Baco. O eixo ao redor do qual orbitavam amigos, amigos de amigos, affaires, paqueras, rabos-de-saia, colegas, o cara legal que alguém conheceu ontem.

Cyro, acompanhado do seu violão, era responsável pelo repertório. É inacreditável a memória deste rapaz, principalmente, para canções de gosto duvidoso.  Cantávamos de um tudo: Iron Maiden, Odair José, Beatles, Sidney Magal, Bob Dylan, Bon Jovi, além de um punhado de músicas italianas, embaladas por litros de suco de cevada. 
 
Como disse Silvinha, certa feita: “eram sempre as mesmas pessoas e as mesmas músicas, mas sempre nos divertíamos como se fosse a primeira vez.”

Grande parte das histórias está confinada nas nossas memórias e somente lá devem ser mantidas. Palavra escrita tem valor de decreto e, por via das dúvidas, prefiro não correr o risco de sofrer retaliações no âmbito jurídico. Se bem que, pensando bem, posso contar, preservando a identidade dos protagonistas... 

Não, melhor não. 

Por mais de uma década... PQP! É mais forte do que eu. Somente uma passagem inocente para ilustrar o perigo de ter informação privilegiada de terceiros:

Era um sábado comum. O Eixo já estava reunido por algumas horas, de maneira que havia certo torpor alcoólico pairando na espaçosa sala de estar do apartamento 201. Além de nós cinco, havia outras quatro pessoas, sendo três XX e um XY. 

Tínhamos cantado, a plenos pulmões, Zanzibar – hit garantido pelos incessantes apelos de Silvinha – e, então, fez-se silêncio, somente quebrado por uma convidada de um convidado:

- Sabe o que eu queria mesmo agora?

- ...

- Comer um cu.

-?!?!?!?!?

- Só enfiar o dedinho...

- !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Pronto, a partir deste momento, raros foram os cabras que se arriscaram a passar perto da fêmea sedenta. Quando o faziam, ou se esgueiravam pelas paredes ou levantavam agarrados com a cadeira, sem afastá-la do dèrriere

Como assim, menina, quer comer um cu?! Como assim, compartilhar com estranhos este desejo íntimo?! Como assim, moça?! Tá loucona!?

Agora, voltamos com a programação normal.

Por mais de uma década encontrei Felipe e Camila pouquíssimas vezes, apesar do bem querer que nutríamos. Finalmente, em 2012, fui visitá-los em Lauro de Freitas, onde vivem num apartamento muito confortável e bem decorado.

Estávamos na beira da piscina, conversando e sofrendo com o calor, quando vi um monte de formiguinhas, daquelas minúsculas, carregando uma vespa morta pelo pátio. Fiquei hipnotizado, enquanto elas percorreram uns 3m, ou duas maratonas pela perspectiva formigal.  Percebi, ali, observando a natureza, o quanto a obstinação nos mantém firme na busca dos nossos objetivos.

Foi assim comigo, anos atrás, no casamento de um amigo.

Solteiro até o último fio de cabelo, fui para celebração do matrimônio com sangue no olho e, já na entrada, avistei, do outro lado do jardim, em vestido um pouco acima do joelho, de tecido esvoaçante e em tom pastel, com cabelos meticulosamente desgrenhados, uma jovem com traços delicados, quase angelicais, mas com um olhar... um olhar... safadinho, por assim dizer.

Depois dos juramentos, troca de alianças e blá, blá, blá, pra caralho, o ato litúrgico finalmente acabou e iniciei a missão Caiu Na Rede.

A individua, em determinado momento, levantou-se da mesa e procedeu em direção ao bar. Calculei a trajetória, tracei a minha e a interceptei exatamente quando se preparava para pedir algo ao profissional responsável pelas bebidas alcoólicas. 

Tá ligado em novela da Globo? De qualquer horário, de qualquer época. Você assiste o primeiro capítulo e sabe como será o último? Pois bem, do jeito que ela me olhou e sorriu, tive certeza de como e onde aquilo acabaria... 

Às vezes, refleti, a vida podia ser sempre assim: tão fácil quanto mijar pra frente, melzinho na chupeta.
Ela bebericava e, aparentemente, falava alguma coisa, pois seus lábios se moviam. Porém, fosse o que fosse não interferia com o filme pornô B, no qual estrelávamos, passando em minha mente. Era um longa-metragem no quilo de E o Vento Levou e tinha tantas continuações quanto Sexta-Feira, 13

Eu sorria, fazia um comentário divertido aqui e outro acolá, mantinha o foco, revisava mentalmente a estratégia e a locação para primeira filmagem, ajeitava o cabelo dela deixando, de vez em quando, despretensiosamente, meus dedos tocarem seu pescoço, até que, num vacilo perdoado somente em caso de principiantes, prestei atenção no que falava...

Putaquepariu, seu idiota, por quê?! Por quê? Como assim, dar ouvidos?! Como assim, desviar do norte?!
Sei lá como chegamos a este ponto, mas, do nada, ela tava falando de religião, de Jesus e o caralho a quatro. Mostrou-se surpresa quando afirmei ter lido a Bíblia duas vezes. Por isso expliquei que a primeira tinha sido na época da Primeira Comunhão e a segunda após ler O EvangelhosSegundo Jesus Cristo, de José Saramago. 

 - Quem é Saramago?

Respirei fundo, convenci-me do quanto era arrogante exigir que todos conhecessem o velho José e respondi o óbvio, afinal, eu tinha um objetivo e um detalhezinho de nada não iria me desviar:

 - Um escritor sem muita importância aí.

A conversa avançou, o espaço entre nós diminuiu e já até tinha esquecido o assassinato do mestre patrício. Ela, com alguns bons mililitros de champagne no juízo, parecia arroz Uncle Ben’s (soltinho, soltinho).
Porém, até o mais obstinado dos homens têm seus limites e, neste fim de tarde primaveril, encarei o meu. Ainda hoje, acordo abruptamente, no meio da noite, com aquelas palavras buscando um significado...  

Falávamos sobre a vida noturna em Salvador, as opções de lazer, sair ou ficar em casa etc e tal. Tudo ia bem, até...

- Tem gente que gosta de ficar em casa e vice-versa.
- ...

ALELUIA


Em 1994, no Shopping Sumaré, em Salvador, houve um micro festival de blues na praça de alimentação. O palco improvisado exibia uma banda, onde um cara de aproximadamente 1,90m, com cabelos pretos ultra cacheados, vestia um terno – com colete e tudo – uns dois números menores do que deveria ser, berrando um rock setentista de primeira. Eu, então, com 18 anos, sedento por música daquela década, fui arrebatado. Que porra era aquela?

Pois bem, era o Dr. Cascadura, liderado por Fábio.

Corta a cena.

No Candeal, não raramente, a paz do meu domingo era quebrada pelo som da bateria, vindo do Ed. Clariana, dois prédios antes do meu. O quarto de minhas irmãs, do lado oposto, era o refúgio perfeito. Contudo, meu abrigo dominical começou a ser invadido por outro baterista que, sabe Deus por que lógica, insistia em praticar no quarto de um prédio, cujas janelas davam pro quarto de Nana e Kika. PQP Futebol Clube!

 Era um tal de Thiago. 

Pois bem, tempos depois, os dois se encontraram. Fábio, já com dois álbuns lançados (#1 e Entre), deu as boas vindas a Thiago, que assumia os tambores do Casca, depois de caras como Maurício Braga e Duda Machado terem prestado serviço empunhado as baquetas. 

Muita água já rolou e saltamos mais de uma década até chegar ao Aleluia. Este álbum duplo produzido, gravado, mixado e masterizado por andré t., coproduzido por Jô Estrada, com participação de inúmeros artistas - Beto Bruno (Cachorro Grande), Jorge Solovera, Ronei Jorge, Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz, Mauro Pithon (Bestiário) e Pitty -  não me deixou dormir.

Conto o porquê.

Além de ter presenciado a gravação das guitarras e do baixo em O Delator, que conta com os vocais competentes de Jajá Cardoso da Vivendo do Ócio, também tivera o privilégio de ouvir algumas canções quando fui visitar Chicão, o filho de André t. e Duda
Há poucos dias, fui surpreendido com um email de Fabão que incluía o, ainda inédito, Aleluia completo: 2 discos e 22 faixas. No corpo da mensagem, emocionado, li:

 “Segura que é teu, Lubisco! Abaixo tem link, login e senha par baixar o Aleluia.
Abraço,
Fábio Cascadura.”

É isso, não consegui não me envaidecer por fazer parte deste seleto grupo que se deleitou antecipadamente com o que, em minha opinião, é, até então, o melhor álbum de rock do país.

Durante um café, comentei com Fábio que a Patrulha Soteropolitana do Rock torceria o nariz para tantos elementos impuros - cuidadosamente lapidados na construção do Aleluia. Afinal, ao lado das guitarras, por vezes, tradicionalmente distorcidas, ouvem-se percussões de candomblé, arranjo para madeiras, flauta, violino, trompas e até uma levada que remete ao samba reggae, como em determinado momento na faixa 6 do disco1.
 
Com seus cabelos grisalhos e voz serena, Fabão, disse:

 - Sabe, Lubis, não me importo mesmo.

A ficha caiu.

Não era uma questão de ser bem recebido, apesar de, particularmente, acreditar que quando tornamos uma expressão artística pública, as reações, em alguma dimensão, contam. Era, na realidade, uma questão de se desafiar enquanto artista... sendo assim, Fábio e Thiago, com o Aleluia, romperam suas fronteiras magistralmente. 

Nesse mergulho introspectivo às origens, o Cascadura fez o seu álbum mais egoísta e, por isso mesmo, o mais universal.

Atotô, Babá!

                                           Texto revisado por N. Lubisco

IN VITRO

Carnaval de Maragojipe/2012
Houve, há muitos anos, uma convenção de mães e avós, onde se decidiu implantar algumas crenças, com o objetivo de facilitar suas vidas no que concernia ao estabelecimento de limites do cotidiano às crianças.

Quem nunca ouviu dizer que comer bolo quente dá dor de barriga? Ora bolas, quem, mesmo tendo que superar o receio de um desarranjo intestinal, experimentou, já na idade adulta, um bolinho recém-saído do forno, ainda fumegando, e constatou que nada de ruim acontece?

Tive um colega na UFBA que jamais passava pelo pátio após tomar um cafezinho na cantina, entre uma aula e outra. Questionado se preferia chegar atrasado a atravessar a brisa que amenizava o calor do Instituto de Letras, respondeu:

- Voinha sempre disse que tomar café quente e ficar no vento faz mal.

Na minha infância, quando ainda morava numa casa ventilada e com um amplo jardim, escutei diversas vezes de Olga – mãe de sete filhos –, a babá de Kika, minha irmã caçula, que se o vento passasse enquanto estivéssemos fazendo careta, ficaríamos com a cara daquele jeito para sempre.

No meu caso, até hoje carrego a dúvida se um vento, de fato, passou, ou foi uma piada genética.

A careta, em si, tem várias funções, de acordo com a cultura local. Os jogadores da seleção de rúgbi da Nova Zelândia, conhecidos como All Blacks, por exemplo, antes de todas as partidas, diante dos oponentes, executam o Haka, uma dança Maori que demonstra a paixão, o vigor masculino e a identificação com a raça. É usada tanto para dar boas vindas a visitantes, quanto para desafiar tribos inimigas.

Atualmente, o Haka é conhecido mundialmente pela performance de intimidação no início dos jogos dos All Blacks. O chefe que conduz a dança - jogador mais velho e de sangue maori - grita aos companheiros um refrão de incitamento e conduz uma coreografia que termina com uma careta horrenda.

As carrancas, cabeças com aparência monstruosas, esculpidas em madeira, comumente encontradas na proa das embarcações que navegavam pelo Rio São Francisco, serviam para afugentar os maus espíritos.
Em Maragojipe – cidade que fica exatamente no encontro dos rios Paraguaçu e Guaí, no recôncavo baiano, cuja economia, outrora, gozou de certa pujança, baseada na larga produção de charutos pela, hoje em ruínas, Suerdieck – caretas, que são, aqui na Bahia, o folião que leva fantasia da cabeça aos pés para não ser identificado, e máscaras se confundem, mas confluem no seu significado primordial: festa.

O carnaval de Maragogó, já patrimônio cultural do Brasil, ainda mantém a tradição das máscaras, com suas vestimentas secretamente elaboradas ao longo do ano, para não serem reconhecidos. É, como chamou atenção René – maragojipano de nascença, de alma e meu anfitrião durante minha primeira participação na folia de sua cidade natal – “um carnaval narcísico”.

Verdade. Os caretas, ao se depararem com uma câmera fotográfica, fazem pose para qualquer estranho que queira registrar aquele festival de luxo, simplicidade e alegria... o clima é amigável. As pessoas se abraçam, compartilham sorrisos, entram na brincadeira e, ao som de fanfarras, dançam sob um sol escaldante ou uma chuva torrencial.

Leila ficou hospedada comigo e Lali – namorada deste autor –, na casa da avó da minha amada. A minha, falecida há pouco em Porto Alegre, dizia que conhecemos as pessoas nas refeições, nos jogos e em viagens. Apesar dos muitos anos de convivência, jamais viajara com Leiloca. Logo na nossa primeira experiência sob o mesmo teto e dividindo tarefas, mostrou-se uma parceira do caralho. Sempre solícita, bem humorada, até mesmo logo após acordar, e, acima de tudo, divertidíssima, principalmente sob o efeito de bebida alcoólica.

Além do riso frouxo, aniquilava o superego a golpes de garrafa de cachaça. Embrenhava-se por searas que, em sã consciência, jamais o faria. Compartilhou, incontáveis vezes, detalhes dos quais eu preferia ter sido poupado e que ainda atormentam meus sonhos.

Uma noite, eu, sóbrio – o único na cidade, provavelmente – ouvia atentamente Leila falando do seu desejo da maternidade e da preocupação de envelhecer sem encontrar um homem que compartilhasse do mesmo sonho, quando ela lembrou de um trato que firmamos anos antes:

- Amigo, ainda tá de pé o nosso acordo?
- Qual, babes?
- De você me doar esperma caso eu chegue aos 37 e não tenha encontrado o pai pro meu filho.
-Hum... sim, sim, porque não? Mas tem uma diferença fundamental agora, né?
- Qual?
- Oxe, amiga, eu tô namorando Lali! Então, aquela minha exigência de ser in loco acaba de ser revogada. Agora, vai ser in vitro mesmo.
- Por mim, beleza!
- E saiba que, no ato da doação, estarei pensando nela... vai ser uma doação pra você, na intenção de Laís...
- Melhor ainda, pois vai que o bebê nasce com o sorriso e o cabelo dela!
...

PS.: depois gargalharmos mudo por bons minutos, Leiloca contou que aquele raciocínio não era filho único. Séculos atrás, quando ainda namorava um carinha aí, estava na McDonald’s e viu uma menininha de aproximadamente 2 anos, bem loirinha e com olhos azuis. O namorado, sabendo da impossibilidade genética de produzirem um daqueles, brincou:

- Vamos fazer um igualzinho?
- Ai, ai, ai, você... SE, POR ACASO, EU TIVER UM BEBÊ LOIRO DOS OLHOS AZUIS, VOU SABER QUE VOCÊ ME TRAIU!
...²


Texto revisado por Nídia.