QUANDO SE ESTÁ SÓ


Há crenças para dar e vender por aí. Certa feita, uma jovem palestrante sobre Educação Espiritualizada, para comprovar a existência de Deus - e aqui estou falando do conceito tradicional das civilizações modernas ocidentais , não daquela vaga noção de deus está na natureza, em mim e em você - apresentou ,através de gráficos, um pouco confusos para minha parca inteligência, resultados de ressonâncias magnéticas que, ao mapearem o cérebro humano, demonstravam que há uma região que nos propicia crer em “algo”. Entre aspas pois a garota usou o velho gesto com os segundo e terceiro dedos, contando do polegar para o mindinho, enfatizando o “algo”.

Eu estava em uma atípica manhã de paz espiritual, sem trocadilhos, por favor, e optei por não indagar se, já que temos uma parte da nossa anatomia intracraniana responsável por acreditar no divino, não é mais lógico que a ciência esteja justamente dizendo o inverso? Deus é uma criação do ser humano?

Confesso certa inveja, em alguns momentos, de quem acredita no etéreo: não há poder sobrenatural para me auxiliar com os percalços que a vida nos oferece, nem providência divina que alivie a dor da perda, ou me tranquilize diante do pavor. Sou eu e meus pares.

Sem falar das religiões institucionalizadas, monoteístas. Neste caso, inexiste, para mim, um livro, ou melhor, uma bula comportamental ensinando quais os valores, princípios e moral a serem seguidos. Ser honesto quando tem alguém vigiando o tempo todo, em todos os lugares, seja lá onde você se esconda, é fácil, pois a punição é a ira olímpica que cairá sobre vossa cabeça. Difícil mesmo é ser honesto quando se está só.

Eu acredito no indivíduo, no ser humano, apesar de achar a humanidade uma desgraça.

Mudanças são possíveis e ocorrem cotidianamente, mas, por não serem televisionadas, não existem... Há jovens, agora mesmo enquanto estamos dialogando, revendo seus conceitos, abraçando quem antes repeliam, se reinventando e, assim, sendo agentes na mudança da qualidade das relações entre seus próximos, sua comunidade e, por conseguinte, em absolutamente todas as instâncias, colaborando para o estabelecimento de uma nova ordem mundial. Uma nova ordem mundial.

A meu ver, se é que há UMA solução, ela é simples, apesar de não ser simplória: faça! Se fazemos parte do problema, somos parte da solução.

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